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Blocos acusam Prefeitura de SP de abandono e mantêm Carnaval em julho – 14/07/2022 – Mônica Bergamo


Associações e coletivos de blocos de rua do Carnaval de São Paulo divulgaram, nesta quinta-feira (14), um manifesto acusando a gestão da secretária municipal da Cultura, Aline Torres, de abandono.

O pronunciamento ocorre na esteira do cancelamento do Esquenta de Carnaval de rua, previsto para este fim de semana, por falta de empresas interessadas em patrocinar a festa. O episódio entra para a longa lista de demonstrações de descaso da gestão atual com o Carnaval de rua, segundo os signatários.

Os coletivos afirmam que, apesar do cancelamento, vão desfilar nas ruas da capital paulista. “Blocos em arranjos diversos vão sair em julho, nos dias 16 e 17, exercendo seu direito legitimo de manifestação cultural garantido pela constituição”, segue o manifesto.

A administração lançou edital em 17 de junho com lance mínimo de R$ 10 milhões, mas nenhuma empresa se apresentou. Novo pregão foi aberto com lance mais baixo, a partir de R$ 6 milhões, porém o prazo se encerrou sem empresas participantes. O evento foi então cancelado.

Na nota, eles afirmam que só souberam do cancelamento da festividade pela mídia. “Para os mais de 200 blocos cadastrados, nenhum ​email sequer avisando do desfecho. Blocos que já estavam na preparação e contratação de fornecedores, que despenderam tempo, energia, expectativas e recursos são jogados novamente ao abandono e à falta de respeito”, dizem.

Leia, abaixo, a íntegra do manifesto:

Ficamos sabendo no fim da semana passada, do cancelamento do Carnaval de julho, devido a ausência de empresa patrocinadora disposta a arcar com recursos para a festa. Esta notícia nos atinge com grande pesar, mas não nos surpreende. O Carnaval de julho que seria realizado nos próximos dias 16 e 17 de julho foi uma tentativa velada da gestão municipal em coibir os cortejos carnavalescos livres e democráticos de abril, data na qual as escolas de samba também desfilaram. O “Esquenta de Carnaval”, como ficou conhecido o CarnaJulho, agora cancelado, entra para longa lista de demonstrações de descaso com o setor do carnaval de rua demonstrados pela Secretaria Municipal de Cultura.

Mesmo assim, reiteramos que quem cancela o Carnaval não é a ausência de empresa patrocinadora. O Carnaval se faz ao momento que pessoas se reúnem na rua pública para brincar, batucar, cantar e serem felizes. Blocos em arranjos diversos, vão sair em julho, nos dias 16 e 17, exercendo seu direito legitimo de manifestação cultural garantido pela constituição.

Falta diálogo. Soubemos do cancelamento da festividade pela mídia. Para os mais de 200 blocos cadastrados, nenhum e-mail sequer avisando do desfecho. Blocos que já estavam na preparação e contratação de fornecedores, que despenderam tempo, energia, expectativas e recursos são jogados novamente ao abandono e à falta de respeito.

Falta confiança. Na única reunião para tratar do tema, ocorrida dia 6 de junho, mais de um mês e meio depois da proposição do evento, a Secretaria Municipal de Cultura na figura de sua secretária Aline Torres, não conseguiu responder perguntas básicas da logística do evento e ainda afirmou que o Carnaval de julho seria realizado mesmo sem empresa patrocinadora. Temos o relato em vídeo, que foi justamente registrado porque a desconfiança já era uma premissa do encontro.

Se em abril, a Prefeitura tentou nos proibir, em julho, ela queria nos penalizar. O Guia de Regras do “Esquenta de Carnaval”, documento que a gestão do Carnaval encaminha aos blocos, é sem dúvida o ponto mais alto de um regramento que vem a cada ano mais encrudescido, com riscos imensos de penalizações, inclusive de proibição (inconstitucional) de desfile no carnaval de 2023.

Falta coragem à prefeitura. O prefeito Ricardo Nunes logo após a notícia de que o edital de patrocínio tinha fracassado pela segunda vez, empurrou para os vereadores o custo da festa via emenda parlamentar. O Carnaval de rua que movimentou em 2020, 3 bilhões de reais, ficou na espera de contribuições que não vieram como se pedissem esmolas. O Carnaval de rua impacta na arrecadação de impostos e colocou São Paulo como uma das cidades mais procuradas pelos turistas que aqui chegam em busca de um Carnaval de rua plural, democrático, divertido e organizado.

Falta sensibilidade e imaginação. Tanto no Carnaval de abril, quanto agora em julho, são momentos extra-ordinários, que exigiam da política pública outra solução. Mas nesta gestão, como todas as outras, quem tem a última palavra é na realidade a empresa patrocinadora. Em dois anos de hiato carnavalesco sobrou abandono do setor cultural, na qual o Carnaval de rua se encontra, e faltou soluções pensadas em conjunto, administração pública e seus carnavalescos em prol da linguagem do Carnaval que pode e deve ser pensada o ano todo, e não somente como um evento que se liga e desliga.

É neste contexto de faltas que estamos às vésperas de outro Carnaval, talvez o mais importante de nossas vidas, o de fevereiro de 2023. Exigimos diálogo real, porque é somente com este que a confiança poderá ser reestabelecida. O tempo é urgente, os desafios são enormes. No entanto, o Carnaval de rua da cidade de São Paulo é imenso, não só na sua grandeza de números, mas no que realmente importa na diversidade de pessoas, de sabedorias, de brincadeiras, de ritmos, de afetos e na pluralidade de sua imaginação. Este é nosso maior legado e maior trunfo. Cabe à gestão pública, à Secretaria Municipal de Cultura o mínimo: construir a política pública de maneira democrática, respeitando a pluralidade do carnaval de rua.



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