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Câmara de gás, menina estuprada, Bruno e Dom, Chacina na Vila Cruzeiro


Os últimos 30 dias foram uma amostra da regressão civilizatória do Estado brasileiro sob a influência de três anos e meio de bolsonarismo no poder. E um sinal do que pode acontecer se a sociedade não interromper essa sangria.

Em Santa Catarina, a Justiça impediu uma menina de 11 anos, grávida após estupro, de fazer o aborto previsto em lei. Tanto a juíza Joana Zimmer quanto a promotora Mirela Albertron forçaram-na a reviver a violência que sofreu em audiência com cara de tortura. No final, ela ficou sob custódia para impedir o aborto. O caso foi divulgado, nesta segunda (20), pelos sites The Intercept Brasil e Catarinas.

Em Registro (SP), a procuradora-geral do município foi espancada até sangrar, com cotoveladas, chutes e socos, pelo procurador municipal Demétrius Macedo, revoltado contra a abertura de um processo disciplinar. Ele não se importou que a cena estava sendo gravada e também foi violento com quem tentava impedi-lo. Assustadoramente, a agressão ocorreu no local de trabalho de ambos na segunda (20).

Em Umbaúba (SE), Genivaldo de Jesus Santos, negro, 38 anos, desarmado, que vivia com uma doença mental, foi parado por dirigir uma motocicleta sem capacete. Acabou assassinado por policiais rodoviários federais que transformaram o porta-malas de sua viatura em uma câmara de gás no dia 25 de maio. A população pediu para eles pararem, mas os dois foram até o fim.

No Rio de Janeiro (RJ), ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal terminou com 23 mortos, na Vila Cruzeiro, no dia 24 de maio. Familiares apontam que os agentes atiraram indiscriminadamente, atingindo moradores. Após a chacina, a PM provocou o STF, que havia imposto regras para ações em comunidades durante a pandemia, culpando o tribunal.

No Vale do Javari (AM), o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips desapareceram no dia 5 de junho. Seus corpos foram encontrados esquartejados e incinerados, ao que tudo indica, por criminosos que exploram terras indígenas. Apesar da ação do governo ter enfraquecido a fiscalização e a sua inação ter tornado a região uma terra de ninguém, o presidente culpou ambos pelo ocorrido.

Nos casos listados, a violência foi promovida por atores públicos ou causada por sua ausência deliberada. Todos estão relacionados à certeza de que o comportamento violento não precisa mais se envergonhar, podendo vir orgulhoso à luz do dia. Afinal, ele é legitimado e reforçado diariamente pelo próprio presidente da República e seus aliados.

Está presente no ultraconservadorismo violento que age para que crianças estupradas não possam abortar, na violência misógina que trata mulheres como cidadãs de segunda categoria, na certeza da impunidade diante da crueldade policial, na promoção da Amazônia como um campo de pilhagem a céu aberto. Ou seja, na regressão do Brasil para um estágio anterior à Constituição Federal de 1988 e do retorno à democracia.

Este é um retrato de um mês após três anos e meio. Imagine após oito.





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