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Como fica a cotação do euro com o aumento dos juros na Europa


Aperto monetário é primeiro na zona do euro desde 2011

A alta de 0,50 ponto percentual nos juros da Europa pelo Banco Central Europeu vai tirar parte da pressão da desvalorização do euro à medida que a política monetária sai do território negativo e caminha para normalidade. Maior que o esperado, uma nova alta de 0,50 pp não é esperada na próxima reunião de setembro, avalia o economista-chefe do Julius Baer, David Kohl.

Segundo ele, o aumento mais rápido do que o esperado aproxima a política monetária de uma postura neutra e sinaliza que o BCE pretende voltar a ser mais ortodoxo, deixando de dar orientações futuras e anúncios de decisões futuras de política monetária.

“Uma política fiscal favorável e um mercado de trabalho robusto são as principais razões pelas quais a economia da zona do euro pode lidar com uma política monetária mais neutra. Ao mesmo tempo, não esperamos que o BCE continue a elevar as taxas mecanicamente em 50 pontos base nas próximas reuniões, mas se torne bastante gradual em setembro, à medida que os obstáculos ao crescimento aumentam e a evolução da inflação começa a se estabilizar pelo menos fora do setor de energia”, disse o economista.

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou hoje seu primeiro aumento da taxa de juros após mais de 11 anos. A expectativa era de um aumento de 0,25 ponto percentual mas o BCE subiu suas principais taxas de juros em 0,50 pp, saindo do território negativo. “O banco central reconheceu que a inflação será elevada por algum tempo, tornando desnecessária a política não convencional com taxas de juros negativas e orientação futura”, disse Kohl. Ele acredita também que o movimento ousado do BCE vai tirar alguma pressão de depreciação do euro. A estimativa do banco é que, em três meses, o euro seja negociado a US$ 1,03.

Vai conter a inflação?

O aperto monetário promovido pelo BCE deve continuar este ano mas será insuficiente para conter a inflação e melhorar a situação econômica, segundo Maria Levorin, gestora da Multiplica Capital. A expectativa é de mais duas altas nos juros até o fim de 2022.

“Para sair efetivamente dessa situação, o continente deveria focar em incentivos para investimentos, criação de empregos e melhora da saúde financeira no setor público e privado. Como consequência da decisão do Banco Central Europeu, vemos um cenário negativo para o crescimento das economias, dado os temores da recessão que levariam os países a entrar em estagflação”, disse a gestora.

Segundo ela, esse aumento dos juros não será suficiente para diminuir a inflação em meio à insegurança global com questões geopolíticas, lockdowns e saúde financeira dos países. “Neste cenário, é natural que os insumos tenham maior demanda, trazendo à mesa uma inflação de gargalo que não tem relação com o nível de juros”, disse.

Além disso, Lavorin lembra a dependência da Rússia para o gás natural e a aproximação do período de inverno, além da saúde financeira dos países, que está em um ponto preocupante na relação entre dívida e PIB. Segundo ela, o aumento dos juros pode levar a uma deterioração ainda maior dessa relação. “Outro sinal negativo importante e que se acelerou com a demora do aperto monetário foi a desvalorização cambial, que fez com que o euro ficasse abaixo da paridade do dólar pela primeira vez desde dezembro de 2002 e caísse mais de 20% do pico de US$ 1,2327, considerando um período de 24 meses”, afirma.

Com conteúdo VALOR PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor Econômico



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