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Saiba como deve ser o retorno de Wilson Ferreira Jr. à Eletrobras


Executivo deixou a empresa em 2021, depois de cinco anos preparando-a para a privatização

Principal nome para presidir a nova Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior comunicou ao conselho de administração da Vibra Energia a sua saída do comando da empresa, dois dias depois de retornar de férias.

A decisão do executivo é o primeiro passo para retornar à empresa da qual saiu, em 2021, depois de cinco anos preparando-a para a privatização.

Ferreira Jr sempre foi o nome preferido dos acionistas da Eletrobras para presidir a agora “corporation” (empresa sem controle definido), ainda mais depois de ter gerido a Vibra, antiga BR Distribuidora, que foi privatizada de forma semelhante – tendo, inclusive, a União se desfeito de todas as ações.

Por outro lado, parte dos empregados da companhia são contra a volta do executivo, que foi alvo de protestos durante os programas de desligamento voluntário e as reestruturações promovidas. Nos corredores da empresa, os rumores sobre o retorno dele são fortes nos últimos dias.

Alguns nomes vinham sendo ventilados no mercado, como o do CEO da Cemig, Reynaldo Passanezi, ou o ex-Light, Raimundo Nonato de Castro, mas nenhum deles com força suficiente para superar Ferreira Jr.

O maior entusiasta do retorno de Ferreira Jr é a 3G Capital, dos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, apurou o Valor.

Confirmada a volta à Rua da Quitanda, sede da Eletrobras, no centro do Rio, ele deve fazer dobradinha com o ex-presidente da Petrobras Ivan Monteiro, o nome de consenso para a presidência do conselho de administração da Eletrobras, sinalizando uma nova governança para a companhia.

A eleição do conselho de administração está agendada para o dia 5 de agosto em assembleia geral extraordinária (AGE). A escolha do novo “chairman” deve se dar em até 30 dias após as eleições, em setembro.

Na Vibra, o executivo comandou a aquisição das comercializadoras Targus e Comerc Energia, a parceria com a Copersucar para negócios com etanol e a aquisição de metade do capital da ZEG Biogás, além do início do projeto de recarga de veículos elétricos. Todas essas iniciativas tiveram como foco a transformação da distribuidora de combustíveis em uma empresa integrada de energia.

Além de Ferreira Jr, os olhares vão se voltar para a composição das diretorias da estatal. Em relatório recente no qual comunicou a retomada da cobertura da Eletrobras, o BTG Pactual destacou que o responsável pela comercialização de energia da Eletrobras terá um dos cargos mais importantes e desafiadores da empresa. Isso porque os preços da energia são muito difíceis de se prever.

Com o retorno, não é difícil prever mudanças mais profundas na Eletrobras, líder em geração e transmissão de energia elétrica. Espera-se um novo pacote de reestruturação de áreas, com rearranjos em subsidiárias, por exemplo, com a contratação de uma empresa de consultoria para auxiliar nesse processo.

No atual modelo de negócios, a geração da empresa é majoritariamente hidrelétrica, altamente dependente da hidrologia, e a transmissão possui boa parte da extensão próxima do fim da vida útil, o que vai demandar investimentos elevados em revitalização.

A mudança de rumo pode envolver mais investimentos em fontes renováveis e no mercado livre, segmento em que a Eletrobras nunca foi referência.

O caminho para a volta de Ferreira Jr começou a ser aberto com a criação, na Eletrobras, da diretoria de regulação e relações institucionais, que está sob o comando de Rodrigo Limp, atual presidente, de forma cumulativa.

Nos bastidores, circula a versão de que essa diretoria foi criada à imagem e semelhança de Limp, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica e ex-secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), e que assumiu o lugar de Ferreira Jr, que saiu da Eletrobras após fala do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) indicando que a privatização da Eletrobras não seria prioridade.

Na ocasião, Pacheco estava em campanha para presidir o Senado. Dias depois da declaração do senador ao “Broadcast”, Ferreira Jr admitiu que a falta de prioridade dada ao processo de privatização da Eletrobras, na época, pesou na decisão de renunciar ao cargo.

Na companhia, Ferreira Jr comandou a venda das distribuidoras do grupo, todas deficitárias, reestruturou a gestão, abriu programas de demissão voluntária, reduzindo o quadro de funcionários, iniciou processo de ocupação racional dos imóveis da companhia e reperfilou o endividamento.

Egresso da CPFL Energia, ele assumiu a Eletrobras em 2016, no início do governo de Michel Temer, logo após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.



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