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Companhias na Rússia pedem para pilotos ‘frearem menos’ para poupar peças de aviões


Pedro Lovisi
Belo Horizonte, MG

Em meio às sanções do Ocidente contra Moscou, desencadeadas devido à invasão da Ucrânia, algumas companhias aéreas russas têm pedido a seus pilotos para que usem menos os freios no momento do pouso. Segundo o jornal britânico The Telegraph, as empresas estão preocupadas com a dificuldade em repor as peças dos aviões.

Isso porque, com as sanções, fabricantes americanos e europeus estão impedidos de vender aeronaves e peças e de fornecer suporte técnico às companhias russas. As restrições impactam, por exemplo, a francesa Airbus e a americana Boeing.

O Telegraph teve acesso a documentos internos de quatro empresas: S7 Airlines, Urals Airlines, Rossiia e a low cost Pobeda. A primeira, por exemplo, sediada na Sibéria, orientou os pilotos a, em vez de usar o freio, acionar o empuxo reverso do motor -procedimento mecânico que auxilia a frenagem e reduz o desgaste das peças.

A Aeroflot, maior companhia aérea da Rússia e controlada pelo governo, não teria oficializado um pedido do tipo -ainda que, de acordo com a reportagem, seus pilotos já conversem sobre o tema. Segundo o portal Politico, dos 187 aviões da Aeroflot apenas 10 não foram fabricados por Boeing ou Airbus.

Esta última viu 25 de seus aviões, usados por empresas russas, serem alvo na última terça-feira (2) de sanções do governo dos Estados Unidos. A restrição se baseou em norma da Casa Branca que permite medidas do tipo em aeronaves que, ainda que sejam de fabricantes estrangeiros, tenham pelo menos 25% das peças produzidas no país.

A punição foi inédita; até então, elas focavam só a Boeing. “A identificação de 25 aeronaves produzidas no exterior degrada ainda mais a capacidade das companhias aéreas russas de operar suas frotas de aviões dos EUA e da União Europeia”, disse o chefe do departamento americano de Comércio, Matthew Axelrod, à agência de notícias Reuters.

O especialista em segurança da aviação Lito Sousa explica que as recomendações das empresas russas em relação à frenagem não necessariamente afetam a segurança direta do sistema aéreo, mas diminuem a margem de risco para acidentes. Segundo ele, ao pisarem menos nos freios, pilotos precisam percorrer mais metros na pista para pousar, o que pode levar a um “congestionamento”.

Ao terminar o procedimento, o avião se desloca para uma faixa conectada à pista, para taxiamento. Em geral, a primeira saída é destinada a aeronaves de pequeno porte, a segunda para as de porte médio e assim por diante; com a mudança, a maioria dos aviões teria que sair na última “taxiway”, o que poderia atrasar o fluxo do aeroporto.

“Será necessária uma coordenação entre as empresas e o controle de tráfego, uma separação maior entre os aviões para não ocorrer um excesso de arremetidas”, afirma Sousa.

Além disso, com menos acesso a peças para manutenção, os russos precisariam remover partes de uma aeronave para consertar algo danificado em outra, limitando o número de aviões no setor. Segundo Sousa, caso as sanções persistam, isso faria com que em dois anos algumas companhias se vejam impossibilitadas de voar.

No interior da Rússia, segundo o Politico, preocupações com a segurança fizeram com que a Agência Federal de Transporte Aéreo fechasse 11 terminais menores, principalmente no centro e no sul do país.

A série de restrições já impacta também estudantes de aviação. À Folha o russo Pavel Prokoptsov, que faz aulas em Buguruslan, a 1.200 quilômetros de Moscou, disse que escuta de seus superiores a instrução para usar menos os freios devido à dificuldade em comprar peças de manutenção. “De qualquer forma, os instrutores sempre pedem para voltarmos inteiros ao chão”, brinca.

Fonte: Jornal de Brasília





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