“Não queremos ser refugiados para sempre”

Oula al-Saghir vive há mais de três anos no Brasil, após fugir da guerra que devasta a Síria desde 2011. Em seu país, ela temia diariamente por sua vidae pelas de seus filhos.

A cidade de Homs, onde ela vivia, foi palco de um cerco que durou mais de três anos. Metade da cidade ficou destruída e milhares de pessoas morreram.

“Eu tento não pensar muito na Síria, agora estou aqui. A gente tem o direito de viver, de fazer as coisas simples. Ser visto apenas como uma pessoa. Parece pequeno, mas não é”, garante Oula.

A artista, que vive fazendo shows cantando em árabe, persa e outras línguas, diz que tem apenas uma reclamação: ser constantemente lembrada de que foi uma refugiada.

“A cada momento a gente é obrigado a lembrar disso. Falo isso para chamar a atenção, é a única coisa que tem de diferente. No resto, podemos viver como todos os brasileiros vivem, mas não queremos ser refugiados para sempre”, afirma.

“Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos”

Artigo 4º da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A fuga é a solução para a muitos negros na Mauritânia

A fuga é a solução para a muitos negros na Mauritânia

Reprodução via Reuters

Racismo e escravidão

Em outubro deste ano, o mauritano M.T. encerrou uma palestra em São Paulo pedindo desculpas aos presentes por ter relatado como é a cultura do racismo em seu país natal, onde a escravidão ainda é uma realidade.

Para ele, o fato de não existirem filas de banco ou bancos de ônibus para pessoas de cores diferentes, como acontece na Mauritânia, seria uma prova de que o racismo não faz parte da sociedade brasileira. Ter a chance de conseguir trabalho, também.

“A escravidão e a discriminação me trouxeram para cá. Minha esposa é senegalesa e, por causa disso, meus filhos não têm direito ao passaporte da Mauritânia, até hoje eles não têm documentos além da certidão de nascimento”, relembrou Traoré.

A esposa precisou voltar para o Senegal por não ter permissão para viver na Mauritânia. Mauritanos brancos podem viver tranquilamente, mesmo sem cartão de identidade. Os negros precisam do documento para fazer qualquer coisa.

“Um negro com carro no meu país, mesmo que esteja com a documentação em dia, não tem sossego com a polícia, é parado o tempo todo. Os mauritanos se consideram brancos, árabes, mas não sabem direito quem eles são”, disse.

Na Mauritânia, apenas quem fala árabe (na maioria, os brancos) tem condição de pleitear bons empregos, como em grandes empresas ou no governo. Os negros, que falam francês, não podem nem se candidatar.

Fonte:r7