estudante Mariana Gomes Vicente, de 25 anos, irá representar o Brasil na ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. A jovem, que sempre estudou em escolas públicas, vai participar de workshops e apresentar um artigo sobre educação no United Nations Economic and Social Council 2019 (ECOSOC), que reúne jovens de diferentes cantos do mundo para discutir os 17 pontos sobre desenvolvimento sustentável entre 6 e 11 de abril.

Nascida em Paulínia, interior de São Paulo, Mariana estudou química em uma escola técnica municipal. “Trabalhei em um laboratório para conseguir pagar a mensalidade de um cursinho pré-vestibular e consegui passar em Ciências Biológicas na Unesp, Ufscar, UFMG e USP”, conta.

Na Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da USP) em Piracicaba, Mariana precisou correr atrás de bolsas para se manter durante os 5 anos de curso. “Vivia com as bolsas de R$ 400 a R$ 600, me deslocava de bicicleta e usava o restaurante universitário, claro que em alguns meses meus pais me ajudavam também”.

Para conseguir uma bolsa é preciso participar de pesquisa e grupos de extensão. “Num primeiro momento, quis fazer algo diferente do que fazia nos laboratórios e participei de um programa de educação ambiental ligado ao MEC (Ministério da Educação), tive a oportunidade de dar aulas para crianças e até mesmo para estudantes da própria Esalq”.

Mariana durante intercâmbio em Tóquio

Mariana durante intercâmbio em Tóquio

Arquivo Pessoal

Dedicação e empenho também renderam um intercâmbio de um semestre na Universidade de Tóquio, com direito a bolsa concedida pelo governo japonês. “Na volta participei de um projeto que estudo como micro-organismos da Amazônia consomem metano e auxiliam no processo de redução dos gases que causam o efeito estufa”.

A somatória de todas essas experiências levou Mariana a montar, junto com colegas da universidade, um cursinho popular. Ali pôde compartilhar seus conhecimentos, mas também se desenvolver como educadora.

“Na minha monografia discuto educação popular e o desenvolvimento profissional de educadores”, ela também avalia quais são as motivações para esse trabalho voluntário e vivência desses professores.

Justamente o foco do artigo a ser debatido na ONU: a educação e políticas públicas.

Um dos objetivos desse encontro é propor políticas e metas para a ONU. “Vamos trocar experiências e trazer ideias para contribuir com a educação no país.”

Aulas no cursinho e a vivência em sala de aula auxiliam a pensar em políticas públicas