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MP investiga uso de drogas em piquenique escolar de Lajeado (RS)

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SÃO PAULOMP investiga uso de drogas em piquenique escolar de Lajeado (RS)

MP investiga uso de drogas em piquenique escolar de Lajeado (RS)

Alunos de colégio particular, que têm entre 12 e 13 anos, foram ouvidos pela Promotoria também por ingerir bebidas alcoólicas. Polícia Civil apura o caso

MP de Lajeado investiga piquenique de alunos de escola tradicional da cidade

MP de Lajeado investiga piquenique de alunos de escola tradicional da cidade

Reprodução/MP-RS

O Ministério Público de Lajeado (RS), a cerca de 110 quilômetros de Porto Alegre, investiga o possível consumo de drogas e de bebidas alcoólicas em um piquenique promovido por alunos de duas turmas do oitavo ano (ensino fundamental) do CEAT (Colégio Evangélico Alberto Torres), uma tradicional escola da cidade. A direção do estabelecimento de ensino suspendeu 14 estudantes das atividades escolares por três dias — todos já retornaral às aulas.

O encontro, realizado no dia 14 de março, teve a participação de aproximadamente 60 alunos — com idades entre 12 e 13 anos — e só  foi descoberto depois que uma professora da escola foi chamada para socorrer um estudante que havia passado mal. O garoto foi levado para uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do município, atendido e liberado.

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Um vídeo gravado por alunos — que vestiam o uniforme do colégio —  que mostra dois adolescentes se deitados em um gramado, se beijando — circulou pela internet e causou revolta na comunidade local. Pais se escandalizaram com as imagens e também levantaram a suspeita de uso de entorpecentes por parte dos jovens.

O áudio de uma conversa entre a madrasta de uma das jovens que estava na festa e uma funcionária de outra família, cuja veracidade foi atestada pelo MP, confirma que os menores levaram para a festa vodca, comprimidos para tratamento de disfunção erétil e ecstasy. “Queriam levar crack, mas não conseguiram. Coisas absurdas”, revelou a mulher em um trecho do áudio.

O diretor das Promotorias de Justiça de Lajeado, Carlos Fiorioli, que foi informado sobre o piquenique pelas redes sociais, decidiu abrir uma investigação para apurar os fatos, inclusive a suspeita de consumo de entorpecentes em atividades escolares externas dos estudantes envolvidos.

“Precisamos investigar como um piquenique de uma escola participar chega a esse tipo de situação. Ainda mais com [suspeita] uso de drogas sintéticas. A nossa preocupação é com a facilidade do alcance [dos alunos em relação às drogas]”, enfatizou o promotor.

Segundo o Ministério Público, os  jovens foram submetidos a exames toxicológicos por meio de fio de cabelo, prática que possibilita resgatar vestígios no corpo até 90 dias após a ingestão das substâncias suspeitas. Os laudos foram enviados a um laboratório particular — com custos pagos pelos pais dos menores — e devem ficar prontos em até 15 dias.

Punições

De acordo com Carlos Fiorioli, as condutas dos adolescentes serão individualizadas e as medidas socioeducativas adotadas poderão partir de advertências até a liberdade assistida. O relatório da investigação realizada já foi enviado à Vara da Infância e Juventude.

“Vamos revisar cada conduta e catalogar a proporcionalidade das medidas”, destacou o representante da Promotoria de Lajeado.

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Para ele, o comportamento dos adolescentes, todos filhos de famílias de classe média alta da cidade, reforça a necessidade de uma reflexão por parte da sociedade sobre a educação de crianças e adolescentes.

“Passa um grande recado para toda a comunidade escolar, especialmente aos pais. Que os pais acendam o sinal amarelo”, ponderou o promotor Carlos Fiorioli.

A Delegacia de Polícia de Lajeado também vai apurar a suspeita do uso de entorpecentes no piquenique dos alunos do Ceat de Lajeado.

Posicionamento da escola

A direção da escola emitiu um comunicado interno para os pais dos estudantes no qual informa que uma gincana, realizada tradicionalmente nesta época do ano, foi cancelada e acontecerá somente apenas após o esclarecimento dos fatos.

Outro lado

O R7 procurou os pais de alunos envolvidos na festa, mas não conseguiu contato com nenhum deles. Já a escola, pelas redes sociais, pediu que a reportagem entrasse em contato com a assessoria de comunicação do estabelecimento de ensino na próxima semana.

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